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Redação Moviesfera
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I Play Rocky e o hábito de Hollywood de explorar seus próprios mitos de bastidores

Um filme sobre como Rocky foi feito é Hollywood transformando a própria história de origem em conteúdo. Só funciona se achar uma história humana além da veneração a Stallone.

Publicado
22 de outubro de 2026
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3 min
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Foto: Gabriel Hutchinson / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que acontece quando a indústria fica sem histórias e começa a filmar as suas próprias? Sai um filme sobre o cara que escreveu um filme sobre um cara que teve uma única chance. I Play Rocky é o exemplo mais claro até agora de Hollywood transformando seus próprios mitos de origem em conteúdo, e o mais estranho é que pode funcionar.

Os fatos, em resumo

Dirigido por Peter Farrelly a partir de um roteiro de Peter Gamble, o filme acompanha um jovem Sylvester Stallone, sem dinheiro, lutando para fazer Rocky sair do papel, segundo a cobertura do trailer pela Hypebeast. Anthony Ippolito o interpreta. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto e, como aponta a Vulture, chega aos cinemas em novembro.

Stallone, hoje com 80 anos, admitiu ter "sentimentos confusos". Sua primeira reação foi: "Eu ainda não morri. Não estamos nos precipitando um pouco?". Depois viu um vídeo de Ippolito e achou que era ele mesmo.

Filmes de bastidores são o espelho favorito da indústria

O apelo é óbvio. Todo mundo já sabe o final, e a marca já vem vendida. Melhor ainda: a história massageia o ego de quem a conta, com um azarão determinado, um sistema de estúdios cheio de dúvidas e um triunfo que prova que a fábrica de sonhos funciona. Ippolito já interpretou um jovem Al Pacino em The Offer, série do Paramount+ sobre os bastidores de O Poderoso Chefão, então vem desse subgênero.

Pensamos que isso é nostalgia vestida de ambição. É mais barato refazer o mito de um clássico do que arriscar um novo. Isso não o torna cínico por definição, mas o reflexo merece desconfiança. Um filme que trata seu personagem como santo não passa de um videoclipe de homenagem bem longo.

O distanciamento de Stallone é o melhor que o filme tem

Agora a boa notícia. Stallone diz que não tem "nada a ver" com o projeto e, segundo o MovieWeb, deu total liberdade a Farrelly: "Vou só sentar e assistir". Numa era de hagiografias autorizadas, isso é raro, e diríamos que é o maior trunfo do filme. Uma cinebiografia aprovada pelo biografado costuma lixar todas as arestas interessantes. Uma feita enquanto ele dá de ombros da arquibancada pode se dar ao luxo de mostrar dúvida, vaidade e teimosia.

A proposta também aponta na direção certa. A Hypebeast descreve um Stallone que se recusou a vender seu roteiro a menos que fosse ele a interpretar Rocky. É um bom motor dramático, e também moralmente nebuloso. Coragem ou ego? Gostaríamos que o filme fizesse essa pergunta em vez de respondê-la com uma trilha sonora grandiosa.

O próprio Ippolito disse à Variety, em declarações que o MovieWeb cita sobre seu trabalho anterior em The Offer, que o objetivo é "despir a parte de ícone" e olhar para o homem. Se o filme falar sério, é o instinto certo. Nosso receio é o elemento mais impressionante do trailer: a imitação. Um sotaque de Stallone perfeito é só truque de festa se não houver algo humano por baixo.

Nosso veredicto

Vale ver, mas com um teste específico. Se I Play Rocky for sobre fome, risco e o que custa apostar em si mesmo, merece seu lugar ao lado do filme que celebra. Se for um tour de grandes sucessos com cenas famosas e escalações piscando o olho, é Hollywood admirando o próprio reflexo. A repercussão inicial é forte, com ovação de pé em Toronto e burburinho de Oscar em torno de Ippolito, mas o calor de um festival não é veredicto. Apostamos que a história humana está lá, justamente porque Stallone ficou fora da sala. Se o filme tem coragem de usar essa liberdade é o que vamos avaliar quando estrear, em novembro.

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