Trinity tem elenco e pedigree. A Netflix tem urgência?
O thriller político da Netflix em dezembro reúne Richard Madden e Jed Mercurio e traz Gugu Mbatha-Raw, mas um bom elenco não basta para parecer urgente em um gênero lotado.
Imagem gerada por IA
Há espaço para mais um thriller político sobre um homem encantador e poderoso que talvez esconda algo terrível? A Netflix acha que sim. Temos a impressão de que a resposta depende de uma única pergunta: Trinity tem algo a dizer ou só um bom trailer?
A Netflix tem os ingredientes; a receita é outra história
Segundo a Deadline, a Netflix marcou para terça-feira, 1º de dezembro, a estreia de Trinity, um drama estrelado por Gugu Mbatha-Raw e Richard Madden, escrito por Jed Mercurio. A sinopse oficial acompanha uma heroica oficial da marinha que se envolve com o carismático (na aparência) secretário de Defesa, só para descobrir que ele pode estar no centro de uma perigosa conspiração. Um detalhe a destacar: a Deadline fala em oito episódios, enquanto o What's on Netflix diz que são sete, depois de uma encomenda original de oito. A cobertura não concorda, então esperaríamos a Netflix confirmar o número final.
O trailer apresenta Mbatha-Raw como a comandante Katherine Decker, imediata de um submarino nuclear chamado USS Kansas, segundo a cobertura do trailer feita pela WRMF. Madden interpreta o secretário de Defesa Webb Preston. O vínculo improvável com ele a puxa para um programa ultrassecreto de codinome Trinity. Em um diálogo, ele diz: "Estou do seu lado." Em um thriller como este, essa raramente é uma frase reconfortante.
O elenco é a parte fácil
O elenco de apoio é forte: Marcia Gay Harden, Bruce Greenwood, Robert Wisdom, James Remar e outros. Mbatha-Raw e Madden são o chamariz, e achamos uma escolha inteligente. A tarefa de Madden parece óbvia: ser simpático o bastante para o público querer acreditar nele e, depois, tornar essa crença incômoda. Mbatha-Raw tem o papel mais difícil, porque a protagonista que duvida precisa sustentar a série. Ela tem de fazer uma crise moral parecer física, e um submarino é um bom lugar para isso.
O pedigree também importa. Segundo o What's on Netflix, a série reúne Mercurio e Madden, que estrelou Bodyguard em 2018. Na nossa opinião, esse é o melhor gancho de marketing da série, e a Netflix certamente sabe disso. Mas um reencontro é uma promessa de tom, não uma garantia de qualidade. A nostalgia por um sucesso pode elevar as expectativas com a mesma facilidade com que vende uma estreia.
A urgência é o teste de verdade
Eis nossa preocupação. "Homem poderoso, conspiração oculta, uma pessoa honesta que percebe" é um esqueleto muito batido. O trailer, a julgar pela cobertura que temos, se apoia exatamente nesses elementos: o pedido que "não pode ser rastreado até mim", a promessa de proteção, o homem que diz precisar ouvir o que você não está contando. É eficaz, mas também familiar. Um trailer não nos diz se o roteiro encontra um ângulo novo.
O que poderia diferenciá-la? O cenário naval é uma chance. Um submarino nuclear é, na nossa leitura, um espaço fechado em que a informação é escassa e a confiança é questão de sobrevivência. Se Mercurio usar esse confinamento para tornar a política íntima, e não abstrata, Trinity pode merecer seu lugar. Se o submarino for só pano de fundo para intrigas políticas genéricas, a série vai se perder no meio da pilha.
Dezembro também é uma data que merece atenção. Suspeitamos que a Netflix mire espectadores que querem algo tenso no fim do ano. É um plano sensato. Também é um plano seguro.
Nosso veredito
Ponha na sua lista, mas mantenha as expectativas moderadas. O elenco e o roteirista dão a Trinity uma chance real, e apostamos que o primeiro episódio será envolvente. A questão é se o meio da temporada ainda parecerá necessário. Se a série viver de charme e segredos sem uma ideia mais afiada, será mais um thriller competente que o público esquece até janeiro. Se usar a premissa para dizer algo sobre lealdade, sigilo e quem decide o que é seguro, pode ser a surpresa de dezembro. Saberemos em 1º de dezembro.
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