A pausa da Marvel na TV não é recuo: é uma admissão que já vinha tarde
Pausar as séries live-action depois de Demolidor e recomeçar com Zodiac equivale a admitir que a era Disney+ da Marvel confundiu volume com força. Menos séries, porém melhores, é a decisão certa.
Imagem gerada por IA
Quando um estúdio diz que precisa de um "reset", em geral isso quer dizer que ele está correndo rápido demais há tempo demais. É assim que lemos a decisão da Marvel, segundo relatos, de desligar por um tempo sua máquina de séries live-action. Chame de recuo, se quiser. Nós chamamos de a notícia mais saudável que a marca recebeu em anos.
Eis o que está na mesa. Segundo o TheWrap, "VisionQuest" termina a exibição em 10 de novembro, e a terceira temporada de "Daredevil: Born Again", já anunciada como a última, virá em seguida. Depois disso, a televisão live-action da Marvel entra em hiato até depois de "Avengers: Secret Wars". A primeira série planejada para o outro lado é um thriller de espionagem chamado "Zodiac", anunciado na New York Comic-Con, com a Marvel TV agora sob a supervisão de Brad Winderbaum e, segundo o TheWrap, menos atrelada aos filmes. O Digg observa que a pausa seria apresentada como uma chance de recomeçar, e não como uma justificativa declarada da empresa; por isso, tenha em mente esse "segundo relatos". A "admissão" do nosso título é a nossa leitura da decisão, não algo que a Marvel disse.
Volume nunca foi sinônimo de força
A era Disney+ começou, como descreve o TheWrap, com a determinação de alimentar o novo serviço de streaming com conteúdo. A ambição de Feige era fazer séries tão grandiosas e interligadas quanto os filmes. As duas metas parecem razoáveis numa sala de reuniões e são péssimas para contar histórias. Quando é preciso preencher um calendário, fazem-se séries porque existe uma vaga, não porque um personagem pede uma.
O custo aparece no público. Jon Giegengack, da Hub Entertainment Research, disse ao TheWrap que o fã casual que sente que precisa antes se atualizar em tudo o mais encontra "atrito", e que os espectadores aprenderam na era do streaming que não precisam se conformar com isso. Concordamos e vamos além: lição de casa é um modelo de negócio ruim para uma marca de massa. A Marvel passou anos treinando seu público a tratar as séries como opcionais.
As melhores séries foram as que pararam de agir como filmes
O detalhe mais revelador da reportagem não é sobre orçamentos nem sobre calendário, mas sobre ofício. A Marvel TV do início usava roteiristas-chefes e diretores em vez de showrunners, e o resultado, nas palavras do TheWrap, foi uma sequência de séries que muitos fãs descreviam como "filmes cortados em partes". O autor Dave Gonzales foi direto: "Não acho que eles abraçaram fazer TV pela TV até muito tarde no processo".
A virada é, notavelmente, a mesma história contada pelo outro lado. O TheWrap aponta a mudança para modelos tradicionais de TV, a partir de cerca de 2023, e a boa vontade da crítica reconquistada por "Agatha All Along", "Wonder Man" e "VisionQuest". Em nossa visão, essa é a tese inteira em miniatura: quando a Marvel deixa a televisão ser televisão, funciona. Uma pausa é a forma mais barata de fixar essa lição.
Zodiac é um bom sinal, desde que a promessa se mantenha
A manchete do GamesRadar diz que "Zodiac" terá orçamento menor e, com sorte, várias temporadas. Com o material que temos, não podemos dizer mais que isso, mas a direção é animadora. Um thriller de espionagem parece um passo deliberado para longe da lição de casa do multiverso cósmico. Winderbaum também falou, segundo o MovieWeb, em mirar séries de várias temporadas, algo que a trajetória da Marvel no streaming raramente entregou.
Ainda assim, uma dose saudável de ceticismo é necessária. Um reset é uma promessa, não um resultado. A mesma matéria do Wrap lista "renovações raras, recuos repetidos" entre os problemas da era Disney+. Uma pausa que termine com a velha mangueira de incêndio religada seria o pior desfecho.
Há também um contexto desconfortável: a Disney planeja, segundo relatos, milhares de demissões e cortes de custos de até 20% para alguns gestores, de acordo com o HNGN, com as redes de TV e o estúdio de cinema, entre outros, devendo ser atingidos de forma desproporcional. Não afirmamos que as duas coisas estejam ligadas, porque nada na documentação diz isso. Mas seria ingênuo achar que uma Marvel TV mais enxuta é puramente uma decisão artística.
Nosso veredicto
Pausar e depois voltar menor, com showrunners que se importem com um personagem e séries que se sustentem sozinhas. Se a Marvel fizer isso, o hiato vai parecer a coisa mais inteligente que ela fez nesta era. Se voltar com uma programação igualmente lotada, o reset terá sido só um comunicado de imprensa. Torcemos pela primeira versão e vamos julgar "Zodiac" pela capacidade de um novato apertar o play sem precisar de um programa de estudos.
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