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Redação Moviesfera
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A Grande Reinvenção do Streaming: Menos Originais, Mais Alianças

A corrida desenfreada por conteúdo cede lugar a parcerias estratégicas e foco em sucessos comprovados, à medida que o streaming entra em uma fase de crescimento maduro e sustentável.

Publicado
13 de outubro de 2026
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As "guerras do streaming" como as conhecíamos finalmente terminaram? Por anos, a indústria foi definida por uma fome insaciável por conteúdo original, um fluxo interminável de novas séries e filmes projetados para fisgar assinantes. No entanto, um relatório recente da Glance, especialista em inteligência de mercado de TV e vídeo, apresentado na MIPCOM 2026, sugere que essa era está firmemente no passado. O que estamos testemunhando é a entrada definitiva do streaming em uma fase madura, priorizando o crescimento sustentável e as alianças estratégicas em vez da inundação implacável e muitas vezes insustentável de novas programações.

No Palais des Festivals, em Cannes, o vice-presidente sênior da Glance, Frédéric Vaulpré, destacou uma contração significativa nas ofertas de novos conteúdos em plataformas de televisão tradicionais e de streaming. Essa mudança crucial, detalhada no relatório, indica uma alteração fundamental na estratégia, com as plataformas recorrendo cada vez mais a parcerias com emissoras para expandir seus catálogos, em vez de dependerem exclusivamente de produções originais caras. A mensagem é clara: a corrida por volume puro acabou; o foco agora está na aquisição estratégica de conteúdo e em um cenário de mídia mais integrado.

A Grande Contração de Conteúdo é uma Reorientação Estratégica

Os números da análise da Glance são impressionantes e inegáveis: a oferta de novos conteúdos está diminuindo em todas as frentes. Entre janeiro e setembro de 2026, novas séries na TV linear caíram 12% em comparação com o mesmo período de 2025 em 48 territórios. A tendência se reflete no mundo do streaming, com o novo conteúdo em catálogos de plataformas globais caindo 12% na Netflix e impressionantes 41% no Disney+. Isso não é apenas uma desaceleração; é uma reorientação deliberada de recursos, sinalizando que a fase inicial de 'conquista de território' do streaming chegou ao fim. Embora isso possa decepcionar alguns espectadores acostumados a um fluxo constante de novidades, acreditamos que reflete um movimento necessário em direção à prudência financeira e a uma estratégia de conteúdo mais curada. Em vez de encomendar inúmeras novas séries, as plataformas estão focando no que realmente ressoa: temporadas de retorno. Na Espanha, por exemplo, as temporadas de retorno agora representam 58% das visualizações do Top 10 da Netflix, um salto significativo de 35% em 2023, enquanto os novos lançamentos caíram de 65% para 33%.

Curiosamente, mesmo com o declínio da nova produção original, os catálogos SVoD continuam a expandir. Essa tendência aparentemente contraditória é explicada por um aumento nas parcerias com emissoras. Na França, o catálogo da Netflix cresceu 61% em horas de conteúdo em junho de 2026 graças à contribuição da TF1+, enquanto o Prime Video teve um aumento de 49% com conteúdo da M6+ e france.tv, conforme relatado por advanced-television.com. Isso demonstra uma mudança fundamental: o streaming está se aproximando do modelo de TV tradicional, alavancando conteúdo existente e comprovado em vez de apenas construir do zero. Essa 'coopetição', como Vaulpré a denominou, borra as linhas entre a mídia antiga e a nova, criando um ecossistema mais simbiótico.

As Linhas Borradas: A "Coopetição" é o Novo Normal

A afirmação de Frédéric Vaulpré de que "o streaming entrou em sua fase de maturidade, e a linha entre emissoras e plataformas está se borrando" captura de forma sucinta a evolução da indústria. A era das "guerras do streaming", caracterizada por uma competição feroz e isolada, parece estar cedendo a um novo paradigma de "coopetição". Isso envolve tanto a competição direta, especialmente porque os níveis de anúncios nas plataformas de streaming as colocam diretamente contra as emissoras tradicionais pela receita de publicidade, quanto a crescente colaboração. As parcerias entre gigantes do streaming e emissoras estabelecidas são um testemunho disso, criando uma rede de distribuição de conteúdo mais integrada. Essa mudança também é visível no desempenho do mercado: nos EUA, as redes de transmissão mostraram muito maior resiliência do que a TV a cabo, com a participação do streaming no vídeo total subindo de 36% para 48,5% entre janeiro de 2024 e junho de 2026. Simultaneamente, o VoD das emissoras está ganhando participação publicitária em mercados de anúncios de TV em declínio, ilustrando ainda mais a interconexão dessas entidades anteriormente distintas. Em nossa opinião, essa convergência estratégica não é um recuo, mas uma adaptação, reconhecendo que uma abordagem diversa e multiplataforma é mais sustentável do que impérios de conteúdo isolados.

Eventos ao Vivo e Conteúdo de Nicho: As Potências Duradouras

Apesar das mudanças tectônicas, alguns aspectos do consumo de conteúdo permanecem firmes. A programação ao vivo, particularmente os esportes, continua sendo um grande atrativo, capaz de unir vastas audiências. A Copa do Mundo FIFA de 2026 serve como um excelente exemplo, alcançando um total de 2,6 bilhões de espectadores na China, com recordes de audiência no Reino Unido, Espanha e Noruega. Esse apelo duradouro dos eventos ao vivo não passa despercebido pelas plataformas de streaming, que estão ativamente buscando grandes parcerias esportivas, como a UEFA Champions League no Paramount+ no Reino Unido, a NHL no Prime Video nos EUA e a Fórmula E no Disney+ em todo o mundo. Essa estratégia reconhece que certas experiências de conteúdo são melhor entregues ao vivo, explorando uma experiência de visualização comunitária que o streaming, apesar de sua natureza sob demanda, busca cada vez mais replicar.

Além dos eventos ao vivo, a Glance também identificou tendências de conteúdo emergentes que falam de uma indústria mais diversificada e responsiva à audiência. O aumento dos dramas ecológicos, entrelaçando as mudanças climáticas em vários gêneros, e séries que defendem heróis comuns desafiando sistemas poderosos, indicam um movimento em direção a uma narrativa mais temática e socialmente relevante. Até mesmo vídeos verticais e microdramas, anteriormente vistos como experimentais, estão sendo destacados em eventos como a MIPCOM como evoluindo para um negócio internacional maior, sugerindo uma aceitação mais ampla de diversos formatos e canais de distribuição. A indústria, portanto, não está apenas se consolidando; ela também está se diversificando de maneiras sutis, mas significativas, adaptando-se aos hábitos e interesses em evolução dos espectadores.

Em essência, o cenário do streaming está trocando sua pele adolescente. A era de gastos descontrolados e um foco singular em novos originais está dando lugar a uma fase mais pragmática e madura. Isso envolve parcerias estratégicas, uma apreciação renovada pelo conteúdo estabelecido e eventos ao vivo, e uma abordagem mais inteligente para a criação e aquisição de conteúdo. Os vencedores nesta nova era serão aqueles que dominarem a arte da "coopetição", entendendo os impulsionadores da audiência e construindo modelos de negócios sustentáveis que combinam o melhor da TV tradicional com a inovação do streaming. O futuro do entretenimento parece menos um campo de batalha e mais um ecossistema complexo e interconectado, onde a colaboração é a chave para a sobrevivência e o crescimento.

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