Behemoth! se apoia em Pascal e Andor, mas o grande trunfo é a música
O trailer vende uma estrela e o pedigree de Andor, mas a ideia que pode destacar o filme de Tony Gilroy, uma carta de amor aos compositores de cinema, merece os holofotes.
Imagem gerada por IA
Quando a manchete de um trailer é "o novo filme do criador de Andor", o que ele está vendendo de verdade: uma história ou um currículo? Behemoth! é o caso de teste mais recente, e a resposta é mais interessante do que o marketing sugere.
Aqui vai a versão curta. A Searchlight Pictures divulgou um novo trailer do filme de Tony Gilroy, que estreia em cinemas selecionados dos EUA em 4 de dezembro. Pedro Pascal interpreta Alex Serian, um violoncelista talentoso que volta a Los Angeles depois de 20 anos na estrada. Como observa o Collider, é o primeiro longa de Gilroy como diretor desde The Bourne Legacy, em 2012, e o site o apresenta em grande parte pela passagem dele por Andor. As manchetes pela internet seguiram o mesmo roteiro: primeiro Pascal, depois Andor.
A marca é esperta, mas também é um atalho
Entendemos o motivo. Pascal atrai público, e Andor é o tipo de credencial que faz certo público prestar atenção. Ela diz aos espectadores que Gilroy sabe escrever adultos conversando em salas e fazer isso parecer perigoso. Para um drama de porte médio que chega a cinemas selecionados, aproveitar essa boa fama é sensato.
Mas é um atalho, e um tanto enganoso. Nada em um violoncelista voltando a Los Angeles lembra uma rebelião de Star Wars. Vender o filme como "do criador de Andor" cria expectativas de tensão e intriga que ele, pelas descrições, não foi feito para entregar. Se o público chegar esperando um thriller político e encontrar uma história pessoal sobre um músico, a marca terá prestado um desserviço ao filme.
A proposta de verdade está enterrada sob os créditos
O que nos parece a ideia realmente diferente é justamente a que as manchetes tratam como nota de rodapé. O FirstShowing informa que o filme é uma carta de amor à música do cinema e que Gilroy ama trilhas sonoras a vida inteira. A trilha vem de um grupo anunciado como "The Behemoth! Collective", com nomes como Michael Giacchino, James Newton Howard, Henry Jackman e Alan Silvestri.
Isso é um gancho de verdade. Filmes sobre fazer cinema são comuns, mas um drama sobre quem compõe a música, e não sobre o diretor ou a estrela, é um tema bem mais específico e novo. A piada do título ajuda: "Behemoth!" é o codinome secreto do filme que Alex é contratado para musicar, e o trailer abre com ele sendo mandado assinar um acordo de confidencialidade, segundo a ABC7. É uma porta de entrada simpática e irônica. Sinceramente, a gente começaria por aí.
A recepção nos festivais pede: sem exagero
Há uma ressalva, e as fontes divergem. O Collider cita 86% no Rotten Tomatoes após a estreia no Festival de Cinema de Nova York. O FirstShowing descreve as críticas como mistas. O resumo da Wikipedia aponta elogios a Pascal, à direção e à trilha, mas críticas ao roteiro e à estrutura. Não temos como resolver isso daqui, e nem vamos tentar.
Ainda assim, essa última crítica importa. O Collider diz que a história se desenrola de forma não linear, com flashbacks ao longo desses 20 anos. Uma estrutura fragmentada pode ser uma força ou um jeito de esconder material fraco, e um trailer não nos diz qual. É o risco mais claro que vemos: um filme sobre música com um som lindo e um roteiro frouxo.
Nosso veredito
Assista ao trailer pelo violoncelo, pelos compositores e pela premissa fora do comum, não pelo nome de Andor. Se o filme funcionar, será porque Gilroy encontrou um tema específico e pessoal, e isso merece ser o mote da campanha. Se tropeçar, provavelmente será na estrutura, e nenhum pedigree vai disfarçar isso. Nosso conselho: encare a marca como um convite e julgue o filme por seus próprios méritos quando ele estrear, em 4 de dezembro.
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