Death Stranding Isolations foge da armadilha da adaptação ao desenhá-la
O anime em 2D desenhado à mão de Kojima para o Disney+ sugere que a estranheza de Death Stranding funciona melhor como atmosfera desenhada do que como cópia de série de prestígio.
Foto: Zion Grassl / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O que você faz quando seu jogo já parece um filme e, ainda assim, não dá para copiá-lo na tela sem perder o que o tornava estranho? Se você é Hideo Kojima, pelo visto, pega um lápis. Ou, mais exatamente, entrega o lápis a outra pessoa.
A Kojima Productions apresentou um primeiro teaser e uma sinopse de Death Stranding Isolations na exposição de 10 anos do estúdio, em Tóquio, segundo o The-O Network. É uma série animada para o Disney+ em 2027, feita em 2D tradicional desenhado à mão pelo estúdio E&H production. Takayuki Sano dirige, Tow Ubukata escreve e Ilya Kuvshinov criou os personagens. A história é original e se passa na América do Norte, logo depois de Sam reconectar o continente por meio da Rede Quiral.
Uma cópia em live-action seria o caminho óbvio, e o óbvio é o arriscado
O jeito padrão de adaptar um jogo tão cinematográfico é apontar uma câmera para ele. Uma versão em live-action é exatamente o que um projeto assim pede e, na nossa visão, também é a versão com mais chance de parecer uma segunda fotocópia, mais barata, de algo que já tinha um brilho de cinema no console.
Desenhar muda a pergunta. Em vez de "será que dá para pagar o elenco e as praias em CGI?", a questão passa a ser "como é a solidão no papel?". Achamos que essa é a pergunta certa. A estranheza desse universo (o piche, as crateras, os fios de conexão) é clima, não design de produção, e clima é o que animadores sabem controlar quadro a quadro.
A premissa pede um lápis, não uma câmera
Segundo o Gamekult, a sinopse oficial acompanha uma garota que escolhe ficar trancada, abrindo mão dos laços humanos. Ao redor dela estão um velho sábio que reconecta as pessoas por um método que, nas palavras da sinopse, desafia qualquer compreensão, um soldado preso em um ciclo de guerra e um menino consumido pela raiva. A frase do teaser, "minha mãe virou uma cratera", é daquelas que soam como poesia num desenho e, desconfiamos, como comédia involuntária num close em live-action.
É uma série sobre isolamento em um mundo que acabou de ser costurado de volta. A animação desenhada à mão pode distorcer um rosto, um céu ou um pesadelo sem precisar justificar isso fisicamente. Acreditamos que isso dá à série espaço para ser realmente estranha, justamente o que a maioria das adaptações de videogames acaba lixando.
Nem toda aposta de Kojima é a mesma aposta, e essa é a parte esperta
Isolations não está sozinha. O Gamekult observa que um filme em live-action de Michael Sarnoski está em produção, assim como um longa de animação, Death Stranding: Mosquito. Nenhum dos dois tem data de estreia. Ou seja, a franquia está diversificando: um caminho em live-action, um caminho em longa animado e agora uma série desenhada.
Esse portfólio parece ser a estratégia de verdade, e é sensata. A série é uma história original, separada dos jogos, então quem chega agora não precisa fazer lição de casa e os fãs ganham algo que não compete com suas lembranças do jogo. Situá-la logo depois do final do primeiro jogo é um ótimo lugar para se posicionar: depois da vitória, antes da bagagem da sequência.
O que ainda pode dar errado
Sendo justos: um teaser não é uma série. Temos uma janela de lançamento, alguns nomes criativos e uma frase de impacto, não um episódio pronto. O tom sombrio também pode ser difícil de vender numa plataforma de streaming de massa, e os fãs de anime não perdoam falhas de ritmo. Se isso vai virar uma obra-prima ou apenas algo bom, ninguém pode afirmar ainda.
Mas, como primeira jogada, é a melhor possível. A armadilha habitual das adaptações de games é tentar provar que a obra original é "real" colocando rostos reais nela. Isolations faz o contrário e aposta na ideia de que esse mundo é mais estranho e mais tocante quando é desenhado. Nossa recomendação: deixe a série na sua lista de 2027, esqueça o reflexo de olhar o elenco e julgue pela força com que a solidão chega até você.
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