Keanu Reeves em Maelstrom: a Netflix aposta em um rosto, não em uma ideia
Trocar Alan Ritchson por Keanu Reeves em um roteiro de 1993, um "Duro de Matar num furacão", é uma jogada segura de astro. A dúvida é se o filme ainda tem surpresas.
Foto: Chris Roth / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
O que fazer com um roteiro que Hollywood comprou antes de muitos dos assinantes de streaming de hoje nascerem? Se você é a Netflix, entrega a um dos rostos de ação mais confiáveis do planeta e espera que a sinopse faça o resto. Foi exatamente o que aconteceu com Maelstrom, e achamos que é uma jogada ao mesmo tempo esperta e um pouco nervosa.
Os fatos, em resumo. Segundo o Deadline, Keanu Reeves vai estrelar o filme no lugar de Alan Ritchson, com direção de Jaume Collet-Serra. A história acompanha um agente do U.S. Marshals que protege a noiva de um traficante de armas, que busca proteção de testemunha. Então um furacão corta as comunicações e a chegada de reforços ao longo de uma única noite. O motivo da saída de Ritchson não foi revelado, e a Netflix não quis comentar.
Reeves é o tipo mais seguro de upgrade
Ritchson não é exatamente um nome em baixa agora. Ele teve um sucesso recente na Netflix com War Machine, observa o CBR, e uma sequência está em desenvolvimento. Ou seja, não é uma operação de resgate de um projeto à deriva. É uma troca por um status de ícone maior. Reeves vem com Neo e John Wick no currículo, duas franquias que moldaram como uma geração imagina um herói de ação.
Por que isso importa neste filme em particular? Porque uma estrutura de "Duro de Matar" vive ou morre conforme acreditemos que uma pessoa sozinha consegue segurar um prédio que desmorona. Reeves passou anos ensinando o público a acreditar nisso. Há também, a nosso ver, uma vantagem discreta: ele sabe parecer cansado, ferido e teimosamente decente ao mesmo tempo. Isso fica mais perto do modelo original do que um herói só de músculos.
Fazemos uma ressalva sobre a saída de Ritchson. Ninguém a explicou, então quem diz saber o motivo está chutando. O Comic Basics observa que ele só estava em negociações para o papel principal desde julho, sem nada assinado oficialmente. Para nós, isso soa menos como demissão e mais como um acordo que nunca fechou, mas é inferência nossa, não fato.
O pedigree de 1993 é charmoso, não uma garantia
A origem da história é a melhor parte da notícia. O roteiro foi vendido à Warner Bros. em 1993, e o preço divulgado varia conforme o veículo, então não vamos cravar um valor. O produtor Jeff Robinov, então agente, o vendeu e agora volta com ele como primeiro projeto do seu novo acordo com a Netflix. Há algo bonito nesse ciclo se fechando.
Mas a idade de um roteiro não é virtude. "Duro de Matar" como atalho vem sendo reciclado há décadas, e o pitch do filme é basicamente um remix: um cenário, uma pessoa competente, uma noite ruim, mais o clima. Mark Bianculli está atualizando o roteiro, então o mais provável é recebermos uma reescrita moderna com sinopse vintage. O que sobrevive, até onde sabemos, é simples: defender alguém enquanto um furacão deixa você sem ajuda. É um ótimo gancho. Também não é surpresa.
A novidade virá do diretor, não da premissa
Aqui estamos cautelosamente otimistas. Collet-Serra tem experiência em prender um personagem em um espaço apertado: o Comic Basics cita Águas Rasas entre seus trabalhos, e a Netflix já teve um sucesso com seu Carry-On. Segundo essa reportagem, o projeto teria sido retomado depois desse êxito, quando o executivo da Netflix Ori Marmur pediu aos principais produtores seus melhores projetos de alto conceito nunca realizados. É isso que nos deixa um pouco apreensivos, porque soa como lista de compras de comfort food: gancho conhecido, astro conhecido, duração conhecida e própria para streaming.
Comfort food, porém, não é ofensa. Um thriller de espaço fechado bem feito é um dos prazeres mais confiáveis do cinema. O perigo é um furacão que sirva de papel de parede. A melhor versão de Maelstrom faz da tempestade um personagem que tira ativamente as opções do marshal, não um cenário chuvoso para tiroteios. Se o clima só existir para justificar a falta de sinal de celular, o filme será esquecível.
Nosso veredito
Reeves é a escolha certa e muito rentável. Ainda assim, o elenco é a parte fácil. O Comic Basics informa que a Netflix não divulgou data de estreia nem início das filmagens, e que a mulher sob proteção de testemunha ainda não foi escalada, com um coprotagonista e um vilão por vir. Esses papéis vão importar mais do que se imagina, porque um filme de dois personagens vive de química.
Nosso conselho: anime-se, mas não pela sinopse. Espere pelo elenco em torno de Reeves e por algum sinal de que o roteiro faz algo com o furacão além de cortar a energia. Se fizer, pode ser aquele raro filme de ação de streaming que parece um acontecimento. Se não, será uma boa pedida para a noite de sexta, e isso ainda é melhor que a maior parte do que o algoritmo serve.
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