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Redação Moviesfera
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O Exorcista de Flanagan só funciona se parar de copiar Friedkin

Mike Flanagan e Scarlett Johansson podem justificar mais um Exorcista, mas só se Martyrs criar um pavor próprio em vez de reciclar os velhos truques da franquia.

Publicado
1 de novembro de 2026
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Existe alguma franquia de terror mais difícil de mexer do que O Exorcista? Toda tentativa de ressuscitá-la traz o mesmo desafio: assuste a gente como em 1973 ou nem tente. Agora Mike Flanagan aceitou o desafio, e achamos que a única forma honesta de respondê-lo é parar de tentar respondê-lo.

Eis o que sabemos. The Exorcist: Martyrs é escrito e dirigido por Flanagan e é o sétimo filme da franquia, com Jason Blum na produção por meio da Blumhouse–Atomic Monster. O MovieWeb informa que Scarlett Johansson interpreta Julie Miller, uma detetive da polícia de Nova York que investiga assassinatos rituais aparentemente ligados a um serial killer morto que ela ajudou a prender. O filme chega aos cinemas em 12 de março de 2027.

Um thriller policial é a entrada mais inteligente nessa franquia

O primeiro trailer fez os fãs notarem algo. O SlashFilm diz que ele parece mais inspirado em O Exorcista III, criticado mas excelente, do que no original de 1973. O MovieWeb aponta a trama de serial killer e até uma placa com o nome Kinderman, o que é especulação dos fãs sobre uma ligação com esse filme, não algo confirmado.

Achamos isso animador. A jogada habitual das continuações de legado é trazer de volta o rosto famoso, reencenar as cenas famosas e chamar de homenagem. O Exorcista III é o oposto: um filme de investigação com um medo adulto, que se infiltra aos poucos. Construir sobre o capítulo menos óbvio mostra que Flanagan entendeu o recado. Um pastiche da sopa de ervilha nunca ia superar Friedkin.

Uma detetive também é uma lente melhor do que um padre. Uma policial não chega acreditando; chega com uma pasta de caso. O pavor que nasce de uma pessoa racional encurralada pelas evidências é uma sensação diferente, mais fria, do que um ritual que já vimos uma dúzia de vezes.

Johansson é a aposta de verdade, e das boas

Flanagan disse ao Screen Rant que Johansson não costuma assistir nem fazer terror e que ficou "aterrorizada todos os dias" no set. Ele chamou a atuação dela de "crua" e "intensa". Leve isso com um grão de sal: um diretor que promove o próprio filme diria isso. Ainda assim, uma atriz de fora do gênero pode evitar o atalho da rainha do grito, que anos de filmes de possessão transformaram em clichê.

Segundo o que se divulga, o trailer coloca a própria filha dela no centro da possessão, que é o nervo mais antigo da franquia. Familiar, sim. Mas a questão é se o filme trata isso como um botão de reinício ou como uma ferida. A reputação de Flanagan, segundo o SlashFilm, é a de fazer adaptações que vão além de repintar o que já vimos. É exatamente esse o padrão que Martyrs precisa atingir.

O aviso é Believer

O MovieWeb chama The Exorcist: Believer de morno, e diríamos que ele definiu o modelo do que não fazer: apoiar-se na nostalgia e torcer para que a marca faça o trabalho de assustar. A história de alerta do outro lado é a série da Fox de 2016, que o SlashFilm elogia por honrar o original enquanto construía a própria mitologia. Mesmo assim, ela virou o programa de menor audiência da emissora em seu segundo ano e foi cancelada. Qualidade não garante público para essa marca.

Isso vale para os dois lados. Flanagan disse à plateia do BlumFest, segundo o Dread Central via findthismovie, que se propôs a fazer o filme mais assustador de sua carreira. É uma grande promessa, e uma grande promessa é uma armadilha numa franquia tão reverenciada.

Nosso veredito: otimismo cauteloso, e um único critério de julgamento. Se Martyrs parecer um filme de O Exorcista por causa dos Easter eggs, vai fracassar. Se parecer por nos dar medo de um jeito que a série ainda não deu, Flanagan terá merecido a revitalização. O trailer sugere que ele sabe a diferença. Em março saberemos se ele consegue entregar.

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