O documentário de Holmes da A24 venceu o Halloween, e isso deveria preocupar Hollywood
Vencer com US$ 10,6 milhões no terceiro fim de semana mostra a curiosidade superando a inércia das franquias, mas um mercado fraco diz mais sobre as falhas do setor do que sobre o gênio da A24.
Imagem gerada por IA
É uma vitória ganhar uma corrida em que metade dos competidores nem apareceu? Essa é a pergunta que paira sobre o fim de semana de Halloween, quando o documentário da A24 sobre Elizabeth Holmes, You Can See Everything, superou por pouco Clayface, da DC, e chegou ao primeiro lugar pela primeira vez desde a estreia. Nós diríamos que sim, é uma vitória de verdade. Mas também uma vitória constrangedora.
Os fatos são poucos. Segundo as estimativas dos estúdios divulgadas pela AP via Newsday, o filme dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim arrecadou US$ 10,6 milhões em seu terceiro fim de semana, apenas US$ 200.684 a mais que Clayface, que caiu 57% no segundo fim de semana. O documentário já acumula US$ 63,9 milhões para um orçamento de produção divulgado de US$ 7 milhões. A Warner Bros. inicialmente reivindicou o primeiro lugar, mas, como observa o JoBlo, a maioria dos especialistas em bilheteria dá a liderança à A24. Os números finais saem na segunda-feira, então a liderança é provisória.
A curiosidade é a nova franquia
Olhe o que está por trás desse número. Pela contagem do Screen Rant, o filme teve a melhor estreia de fim de semana para um documentário que não seja de show desde Fahrenheit 11 de Setembro, em 2004, e, no segundo fim de semana, registrou a única alta semanal da A24 para um filme que estreou em mais de 600 salas. Subir na segunda semana e chegar ao primeiro lugar na terceira não é o que acontece com um golpe de marketing. É o que acontece com uma conversa da qual as pessoas querem participar.
É essa a parte que Hollywood continua subestimando. Clayface tem um vilão famoso do Batman, um estúdio e a marca DC, e mesmo assim caiu 57%. O filme sobre Holmes tem 174 minutos de duração, nenhuma capa e um tema que as pessoas já conhecem pela metade e querem entender melhor. Na nossa visão, o argumento "você já ouviu a história, agora veja dois cineastas passando tempo com ela antes da prisão" é mais específico que qualquer slogan de franquia, e o que é específico se espalha no boca a boca. A inércia de uma franquia garante um fim de semana de estreia. A curiosidade garante um terceiro.
Há também um posicionamento inteligente. A A24 não tentou superar ninguém em matéria de blockbuster. Lançou um documentário muito comentado, próximo do true crime, e parece que o debate público fez boa parte do marketing. A reportagem da AP no Newsday chama isso de o tipo de burburinho difícil de comprar, e concordamos.
Uma vitória de US$ 10,6 milhões também é um sintoma
Agora, o balde de água fria. Ninguém deveria confundir isso com um fim de semana aquecido. A AP diz que o total provavelmente não passaria de US$ 56 milhões nas estimativas de domingo, o que o tornaria o segundo pior fim de semana do ano, embora outros veículos tenham citado projeções mais altas e o Screen Rant tenha apontado o acumulado em US$ 62,2 milhões. Seja qual for o número em que você confie, é um fim de semana fraco. O Deadline o chamou de um fim de semana terrível no mundo todo, atribuindo a culpa mais à ausência de um grande lançamento amplo de Hollywood e de um blockbuster local na China do que ao feriado em si.
Repare no formato do problema. O maior lançamento da semana, uma comédia de terror natalina chamada Christmas at the Kringles, estreou fora do top 10 com 0% no Rotten Tomatoes, segundo o Screen Rant. Quando um documentário em sua terceira semana consegue liderar, isso sugere que o calendário deixou um buraco e os estúdios não o preencheram. O Halloween caiu num sábado, é verdade, mas deixar esse fim de semana vazio nos parece uma escolha de programação, não uma catástrofe natural.
Pensamos que essa é a verdadeira lição. A vitória da A24 não é um acaso, mas também é favorecida por uma concorrência fraca. Se um lançamento amplo de verdade tivesse chegado, isso provavelmente teria sido um segundo ou terceiro lugar, ainda impressionante, só que menos propício a manchetes.
O que tirar disso
Não leia isso como a morte da franquia. A bilheteria doméstica continua mais de 17% acima da do ano passado, com quase US$ 8,5 bilhões até agora, segundo a AP. O negócio não está doente. Só está irregular, e semanas como esta expõem o quanto ele depende de algumas grandes apostas.
Nosso veredicto: a A24 merece a vitória e os estúdios deveriam tomar nota. Filmes de orçamento modesto, movidos por uma ideia, com um gancho claro e uma conversa por trás, podem durar mais que rivais maiores, sobretudo quando esses rivais deixam o palco vazio. Se quiser entender por quê, assista ao documentário sobre Holmes numa tela grande enquanto ele ainda está em cartaz. E, se você comanda um estúdio, talvez seja hora de parar de deixar ao acaso o fim de semana antes de novembro.
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