The Invite prova que a comédia adulta não morreu: ela só precisa de uma segunda vida
A comédia dramática de Olivia Wilde saiu de Sundance, virou sucesso nos cinemas e chegou à HBO Max. A lição para os estúdios é de sequência, não de sobrevivência.
Foto: Colleen Sturtevant / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Quem matou a comédia adulta? A cada poucos anos a indústria faz um funeral, e a cada poucos anos alguém leva escondido um corpo que ainda respira. Desta vez são quatro pessoas num jantar, dois vizinhos barulhentos do andar de cima e uma tábua de frios.
Veja o que aconteceu. The Invite, de Olivia Wilde, estreou em Sundance em janeiro e foi parar na A24 depois do que Wilde descreveu ao The Ankler como uma exaustiva disputa de duas noites. A Netflix teria feito a oferta mais alta. O filme arrecadou depois quase US$ 60 milhões nos cinemas do mundo todo, segundo a contagem do The Ankler, enquanto o Deadline o coloca acima de US$ 55 milhões. Desde 23 de outubro, ele está disponível em streaming com exclusividade na HBO Max.
A verdadeira história é a ordem das etapas
A leitura tentadora é "o streaming salva a comédia". Achamos isso preguiçoso. The Invite não começou numa plataforma, onde poderia ter sumido numa rolagem de miniaturas. Wilde, pelo próprio relato, incluiu um lançamento de verdade nos cinemas no acordo com a A24. O filme então foi exibido para plateias que ficavam depois para conversar, e ela contou ao The Ankler sobre espectadores que voltam levando o parceiro e sobre sessões duplas com clássicos mais antigos sobre relacionamentos. Isso é boca a boca com rosto.
Depois veio a janela de streaming, com a reputação já construída. O filme chegou depois da estreia em Sundance e de um verão nos cinemas, e o veredicto do Decider foi um seco "Stream it". Uma postagem em fórum chega a citar 97% de aprovação Certified Fresh no Rotten Tomatoes, mas esse número merece a ressalva de sempre. Nossa leitura: o público que o filme encontrar em casa é, em parte, o dividendo de uma campanha nos cinemas. A sequência fez o marketing.
Os estúdios continuam entendendo mal o que a comédia adulta precisa
A comédia adulta não é órfã porque o público não a quer. Suspeitamos que seja órfã porque não cabe numa planilha feita para superproduções. Uma crítica chamou o filme de limpador de paladar: sem capas, sem franquias, sem propriedade intelectual. Para nós, esse é exatamente o argumento de venda, e uma bilheteria de quase US$ 60 milhões sugere que existe fome por isso. Também não é um acaso sem propriedade intelectual: é um remake do filme espanhol Sentimental, de Cesc Gay, ou seja, havia uma história conhecida, só que não numa forma que grita para uma diretoria.
O elenco ajuda, claro: Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton ao lado de Wilde. Não vamos fingir que qualquer comédia adulta sem esse time repetiria o feito. Poder de estrela faz parte da receita, e provavelmente não é barato. É esse o matiz de que a tese precisa: o gênero não está morto, mas ressuscitá-lo também não é fácil.
O que os estúdios deveriam fazer com isso
Parar de perguntar "cinema ou streaming?" como se fosse uma escolha binária. The Invite sugere uma pergunta melhor: qual sequência torna cada lançamento maior? A passagem pelos cinemas transformou o filme em evento, e a janela doméstica permite que ele chegue a quem não vai ao cinema. A decisão de Wilde de recusar a oferta, segundo consta maior, de um serviço de streaming parece, pelo menos daqui, uma aposta inteligente nessa sequência.
Há uma ressalva. Um filme não é uma tendência, e ainda não sabemos como ele se sai na HBO Max. Se a próxima comédia adulta seguir o mesmo caminho com resultados parecidos, aí poderemos falar de modelo de negócio. Até lá, chame de prova de conceito.
Nosso veredicto: aprovem mais filmes como este, deem a eles um lançamento de verdade nos cinemas e deixem o streaming fazer o que faz de melhor, que é a cauda longa. E se você ainda não viu, um jantar que dá errado é uma boa maneira de passar um sábado à noite. The Invite já está na HBO Max.
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