Wildwood é uma aposta de cerca de US$ 100 milhões de que o amor da crítica vença a bilheteria
O épico em stop-motion da Laika tem críticas elogiosas, classificação PG-13, longa duração e previsão de estreia de US$ 10 milhões. É uma aposta no prestígio em vez da popularidade.
Imagem gerada por IA
O que fazer com um filme que a crítica chama de obra-prima quando analistas esperam uma estreia de cerca de US$ 10 milhões? Essa é a pergunta que paira sobre Wildwood, da Laika, e é mais interessante do que o pânico de sempre sobre "será que vai fracassar?".
O cenário: Wildwood estreou em 23 de outubro como um épico em stop-motion dirigido por Travis Knight. Tem 131 minutos, é o primeiro filme da Laika com classificação PG-13 (segundo a Wikipedia) e é lançado pela Fathom Entertainment, e não por um grande estúdio tradicional. A Bloomberg diz que a previsão é de apenas US$ 10 milhões nos Estados Unidos e no Canadá na estreia, diante do que o resumo de bilheteria do Yahoo descreve como um orçamento "que dizem estar na faixa dos US$ 100 milhões".
O risco real é a proporção, não a estreia
Mesmo que esse número esteja certo, a conta é feia. O Yahoo lembra que os filmes da Laika "nunca foram grandes sucessos de bilheteria", e a estreia projetada fica entre US$ 5 e 10 milhões. Na nossa visão, isso significa que Wildwood começa a carreira precisando de um público paciente e duradouro, não de um grande primeiro fim de semana.
Também é um tipo de filme que não pode economizar. Um épico artesanal, quadro a quadro, é caro por natureza, e não dá para cortar custos renderizando mais rápido. O estúdio vende um objeto enorme a um público que precisa comprar ingresso já.
Há ainda o que o filme faz contra si mesmo. O Yahoo diz que a duração de mais de duas horas e a classificação PG-13 vão dificultar o lucro. Nós iríamos além e supomos que isso significa menos sessões para a família e menos pais dispostos a levar crianças pequenas. Admiramos a ambição, porque um conto de fadas mais sombrio e longo é exatamente o que a animação deveria ousar. Mas admirar uma escolha criativa e bancá-la comercialmente são coisas diferentes.
A crítica está apaixonada, e isso pode não bastar
As resenhas são elogiosas. A manchete do Gold Derby o chama de favorito da Laika ao Oscar e de "um dos filmes de animação mais impressionantes já feitos". O Yahoo relatou 100% perfeito no Rotten Tomatoes em 15 de outubro. Nem todos se derretem: a manchete do IndieWire diz que o épico "carece" de algo, embora a resenha ainda o chame de "um banquete visual de cair o queixo numa escala que a Laika nunca tentou antes".
Acreditamos que essa divisão é saudável e reveladora. Um filme pode ser uma maravilha artesanal e ainda assim ser mais difícil de amar que Coraline. Prestígio rende conversa sobre prêmios e artigos de análise. Sozinho, não paga uma produção desse tamanho.
A história traz um alerta e uma ponta de esperança. O Yahoo cita Missing Link, filme da Laika de 2019, que estreou com US$ 5,9 milhões e terminou com US$ 26,5 milhões no mundo. A comparação esperançosa é Migration, que se recuperou de uma estreia de US$ 12,4 milhões e chegou a US$ 300,1 milhões no mundo. Mas era um lançamento de dezembro com fôlego, e o Yahoo chama repetir o feito em outubro de "um pedido enorme, quase sem precedentes". Wildwood também estreia contra Clayface, da DC Studios, que o Yahoo diz ser o favorito do fim de semana, com US$ 20 a 29 milhões.
A Fathom é a parte mais interessante da aposta
A escolha da distribuição pode ser a parte mais inteligente e a mais assustadora. A Fathom é mais conhecida por relançamentos e eventos ao vivo nos cinemas, mas tem história com a Laika: segundo o Yahoo, o relançamento de Coraline em 2024 arrecadou mais de US$ 52 milhões no mundo, elevando o total do filme a US$ 188 milhões. Quando a data de estreia foi anunciada em janeiro, Scott Mendelson escreveu que devíamos esperar um lançamento amplo convencional em cerca de 2.500 a 3.500 salas.
Então a Laika aposta que seus fãs, o público de Coraline, vão aparecer como num evento. Sinceramente, gostamos dessa lógica. Ela trata o estúdio como uma marca com seguidores fiéis, e não como uma engrenagem na programação de um grande estúdio. Mas também é um teste inédito de se a Fathom consegue lançar um filme novo em larga escala, e um experimento caro.
Nosso veredito
Vá ver no cinema, principalmente se você se importa com a sobrevivência do stop-motion como forma de arte nessa escala. As críticas sugerem que vale a pena, e os fins de semana de estreia são o voto que mais pesa para quem dá sinal verde ao próximo filme. Quanto à bilheteria, nosso palpite é de uma decepção financeira, com valor de longo prazo vindo de prêmios e do catálogo. Pode ser um destino aceitável para um filme tão ambicioso. Só não é um modelo de negócios sustentável, e Wildwood já é arriscado o bastante no tamanho que a apuração realmente sustenta.
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