The Twilight Zone de graça no Tubi marca a hora dos acervos da TV
Os 156 episódios de um marco da CBS agora estão de graça no streaming. É ótimo para quem assiste e talvez um sinal discreto de que grandes catálogos viram tapa-buraco.
Foto: CBS Television / Wikimedia Commons (Public domain)
O que isso diz sobre o acervo de um estúdio quando uma das séries de TV mais influentes de todos os tempos vai parar numa plataforma gratuita e bancada por anúncios? Essa é a pergunta por trás da notícia de que The Twilight Zone agora está de graça no Tubi. Achamos que a resposta é ao mesmo tempo lisonjeira e um pouco reveladora demais.
Os fatos são simples. A série antológica de Rod Serling foi ao ar pela primeira vez em 1959 e durou cinco temporadas na CBS, com 156 episódios no total, segundo o Talkfuse. O Polygon a chama de uma das maiores séries de ficção científica já feitas e recomenda assistir enquanto estiver de graça no Tubi. A Pluto TV também lista a série em página própria como conteúdo gratuito.
As plataformas gratuitas viram o sótão onde mora a TV clássica
Basta olhar o que a Pluto TV oferece hoje. O Pocket-lint observa que a programação inclui Star Trek, Frasier e The X-Files, e cita The Andy Griffith Show, Sanford and Son e The Twilight Zone entre as séries de destaque. A plataforma está prestes a acrescentar 14 canais a uma grade de mais de 400. Isso já não é cesta de promoção. Para nós, parece mais um museu bem curado da TV aberta, organizado em categorias como Classic TV e Sci-Fi + Fantasy.
Na nossa visão, esse é o destino natural. Uma antologia de episódios independentes é o produto ideal para ver sem esforço. Ninguém precisa «começar pela primeira temporada», e dá para entrar em qualquer ponto. As plataformas gratuitas com anúncios foram feitas justamente para esse tipo de beliscada, e um catálogo assim provavelmente precisa de pouco marketing para se justificar.
Para o público, é uma vitória clara. O custo do streaming não para de subir, e um clássico completo sem assinatura é o melhor negócio da televisão hoje. Se você nunca assistiu à série, não existe desculpa melhor.
Mas «de graça» também pode ser o jeito de dizer «não sabemos o que fazer com isso»
Esta é a metade incômoda. Um serviço premium costuma ser onde a empresa coloca o que quer que você enxergue como sua identidade: as produções originais de prestígio, as grandes apostas. Ver um marco de 156 episódios aparecer em plataformas gratuitas sugere, pelo menos para nós, que um acervo assim pode ser medido em impressões de anúncios, e não em prestígio de marca. Seria uma escolha de negócio razoável. Também seria reveladora.
O padrão aparece em outros casos. O El-Balad informa que um filme de ficção científica e terror de 2016 com Glenn Close agora está de graça no Tubi e na Pluto TV, e observa que não há informação sobre quanto tempo ele fica lá. Essa ressalva importa. Acordos gratuitos como esses parecem janelas, não lares. O próprio convite do Polygon para The Twilight Zone é assistir «enquanto está de graça», o que mostra o quanto o arranjo parece estável. Apostamos que títulos assim vão continuar migrando entre serviços conforme a conta das licenças mudar.
Esse é o risco real da ideia de «cofre». Um cofre pressupõe guarda segura. O que podemos ter é uma porta giratória, e um marco pode estar a uma decisão de licenciamento de sumir da oferta gratuita, sem um lar pago óbvio para substituí-lo.
Assista agora e não presuma que vai ficar
Nosso veredito: comemore o acesso, desconfie da permanência. As plataformas gratuitas merecem crédito por tratar a TV antiga como algo que as pessoas realmente querem ver, em vez de deixá-la esquecida num HD. Mas gostaríamos que as empresas donas desses clássicos lhes dessem um lugar mais claro e duradouro, com o cuidado e o prestígio que uma série fundamental merece.
Na prática, assista agora. Comece por qualquer episódio, já que a série foi feita assim. E, se você se importa com a TV clássica, preste atenção em quem a mantém, e não apenas em quem a exibe neste mês. Um acervo só tem valor se alguém se compromete a mantê-lo na prateleira.
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