Cinema
Redação Moviesfera
Cinema

A aposta da DC em Constantine é esperta, se esquecer o Keanu

Um filme de Constantine escrito por Francis Galluppi, de Evil Dead Wrath, sugere que a DC está pronta para o terror de verdade. Só funciona se o estúdio definir um tom e evitar o desvio nostálgico.

Publicado
5 de novembro de 2026
Leitura
3 min
Categorias
Cinema

Imagem gerada por IA

A DC finalmente está pronta para nos assustar, ou só está colecionando rótulos de gênero? A notícia de que um novo filme de John Constantine está em desenvolvimento, com roteiro de Francis Galluppi, é a coisa mais interessante que o DCU fez desde que começou a empilhar anúncios. E é interessante justamente pelo que não é: mais um espetáculo de capas e raios no céu.

O que sabemos, que não é muito

Segundo a Deadline, a DC Studios tem um filme de John Constantine em desenvolvimento. Galluppi, roteirista e diretor de Evil Dead Wrath, está escalado para escrever o roteiro. De acordo com o Flickering Myth, isso acontece antes de qualquer sinal verde oficial. Os veículos que consultamos dizem que o projeto está em estágio muito inicial. Nenhum diretor nem elenco foi anunciado, e a DC Studios se recusou a comentar.

Também não está claro se será um filme do DCU ou um longa independente no estilo Elseworlds. O Hipertextual observa que a notícia chega cerca de duas semanas depois da estreia de Clayface nos cinemas, e o Flickering Myth diz que esse filme de body horror continua firme na bilheteria.

O terror é o jeito mais barato de se destacar

Este é o nosso argumento: o terror é onde um universo de super-heróis pode se diferenciar sem gastar uma fortuna. Clayface já apontava nessa direção. Constantine, um detetive do oculto cínico e golpista ocasional, é o segundo passo natural. É um personagem construído sobre pavor, péssimos acordos e sujeira moral, não sobre socar vilões cada vez maiores.

Galluppi parece uma escolha sensata. A Polygon observa que seu primeiro longa, The Last Stop in Yuma County, levou Sam Raimi a escolhê-lo pessoalmente para Evil Dead Wrath, que, segundo o Flickering Myth, estreia em 7 de abril de 2028. Em nossa opinião, é um cineasta com credenciais no gênero e sem a bagagem dos super-heróis, e isso é bom.

O risco é o rótulo de "terror" virar um adesivo de marketing. Um Constantine que fosse, no fundo, uma aventura de fantasia para a faixa de 13 anos, com um sobretudo, desperdiçaria o personagem. Se a DC está falando sério, deveria se comprometer com um tom que morde e, de preferência, com uma escala que permita correr riscos. Essa é a nossa preferência, não algo que as fontes prometam.

O desvio pelo Keanu é a verdadeira armadilha

O Constantine de 2005, com Keanu Reeves, é um favorito de culto, e os fãs pedem uma continuação há anos. O Hobbyconsolas descreve esse projeto como andando num ritmo exasperantemente lento. A Polygon acrescenta que Peter Stormare disse que Reeves estava insatisfeito com o roteiro. Também lembra que James Gunn disse no ano passado que ele e Reeves conversaram de vez em quando, sem um roteiro em mãos. A Polygon lê o novo projeto como um sinal de que a continuação pode ter sido engavetada. Essa é a inferência dela, não um fato confirmado.

Nossa opinião: já vai tarde, no melhor sentido. Uma continuação de legado puxaria o filme para o fan service e para um meio-termo de tom com um filme de 2005. Um recomeço permite que o roteiro de Galluppi defina o que é um Constantine do DCU. O Hipertextual diz que os primeiros sinais apontam para uma nova versão e que as esperanças em Reeves estão diminuindo.

Nada disso significa que Reeves nunca poderia aparecer. Mas, se ele surgir como uma piscadela no primeiro ato, o filme corre o risco de virar uma turnê de reencontro em vez de um filme de terror.

Nosso veredicto

Apoie o recomeço. A DC deveria manter o orçamento disciplinado e deixar Galluppi escrever algo ruim, engraçado e britânico. Deveria decidir cedo se isso vive dentro ou fora do DCU, porque a ambiguidade é o que embaralha o tom. Depois, deveria escalar alguém que não esteja ali para nos lembrar de 2005. Enquanto não houver diretor e sinal verde, trate isso como promissor, não garantido. Mas, como direção, é a certa.

Temas de debate

Ainda não há temas: abra o primeiro.

Mais matérias