A segunda-feira fraca de Street Fighter mostra que fãs não são rede de proteção
Queda de 73% na segunda e derrota para um documentário de lançamento limitado indicam que o reconhecimento dos fãs não dá fôlego a um filme de videogame. Os estúdios ainda os tratam como barbada.
Foto: Capcom France / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Um filme pode ser um sucesso na sexta e um alerta na segunda? Street Fighter acabou de tirar a prova. O longa tem um nome famoso, um elenco de peso e uma base de fãs que apareceu logo no primeiro dia. Tem também uma primeira segunda-feira que parece um alçapão.
O que aconteceu: uma vitória que começou a evaporar
Street Fighter estreou em 1º lugar com cerca de US$ 31 milhões nos Estados Unidos e no Canadá e aproximadamente US$ 50 milhões no mundo, com orçamento divulgado de US$ 82 milhões, segundo o SlashFilm. O Deadline tinha projetado uma estreia global de US$ 70 milhões, então até o lançamento ficou abaixo do esperado.
Aí chegou a segunda-feira. O Koimoi destacou uma queda brutal de 73% na segunda, e o documentário You Can See Everything, da A24, em lançamento limitado, assumiu o 1º lugar naquele dia com US$ 2,5 milhões, contra US$ 1,8 milhão de Street Fighter, segundo o Cosmic Book News. O site se prepara para uma grande queda no segundo fim de semana, que compara à de He-Man. É uma projeção, não um resultado, mas a segunda-feira lhe dá munição de sobra.
Os fãs compram o ingresso, não o ingresso da sequência
A defesa de sempre desses filmes é que o público garantido assegura um piso. Isso é verdade, e o piso chegou no prazo. Mas piso não é teto, e uma estreia concentrada nos primeiros dias é a marca de um filme que vende principalmente para quem já sabia que iria.
Os sinais estavam nos números. A nota B- no CinemaScore e os 41% da crítica no Rotten Tomatoes (ambos divulgados pelo SlashFilm) sugerem que quem foi não ia recrutar mais ninguém. Na nossa opinião, essa é a verdadeira lição: num filme movido por fãs, o primeiro fim de semana corre o risco de ser todo o público. Quem ainda não era crente tinha pouco motivo para aparecer quando chegou a segunda.
Os fãs também são o público menos indulgente. Eles conhecem os personagens, então cada retrato impreciso chama atenção. Um comentarista do EventHubs descreveu o filme como tendo "diálogos bregas, um enredo desconexo e retratos imprecisos dos personagens" e, mesmo assim, observou que a comunidade dos jogos de luta compareceu. Comparecer e defender o filme são coisas diferentes.
O mito do "sucesso garantido" é um problema de orçamento
É aqui que, a nosso ver, a indústria continua se enganando. O reconhecimento da marca reduz o custo de divulgar o filme. Não reduz o custo de fazer um filme de US$ 82 milhões. O SlashFilm calcula o ponto de equilíbrio em cerca de US$ 205 milhões no mundo. A Wikipédia lista um total mundial de apenas US$ 58,4 milhões, um retrato sem data que pode estar defasado em relação aos números mais recentes. De qualquer forma, a distância é grande e, pelo que se viu, o filme tem um longo caminho para fechá-la.
As comparações também não ajudam. O SlashFilm lembra Bullet Train, um filme sem franquia, com orçamento parecido e elenco igualmente de peso, que estreou com US$ 30 milhões nos Estados Unidos e no Canadá e chegou a US$ 239 milhões no mundo. Um filme sem franquia por trás teve fôlego; um com nome famoso talvez não tenha. Já Mortal Kombat II, que, segundo o SlashFilm, faturou US$ 129,5 milhões no mundo depois de uma estreia de US$ 38,5 milhões nos Estados Unidos e no Canadá, mostra o que acontece quando a base de fãs abre o filme e depois para.
Para ser justo, há atenuantes. O Cosmic Book News diz que o filme caminha para um prejuízo acima de US$ 50 milhões, mas é a projeção de um site, e bem pessimista. A Screen Rant observa que há poucos grandes lançamentos de ação até meados de novembro, então Street Fighter não está sem espaço. Em compensação, perde salas para Clayface e enfrenta a expansão nacional de You Can See Everything, ambos chegando em 23 de outubro. E o SlashFilm lembra que uma franquia como essa pode render com produtos, games e streaming, então uma sequência não é impossível. Para nós, isso é mais uma racionalização do estúdio do que um plano. Falar em sequência não é um plano de negócios.
O veredicto: parem de precificar a torcida como garantia
Os estúdios deveriam ler isso como uma lição de precificação. Um título conhecido vale uma estreia decente. Não vale uma aposta de US$ 82 milhões, a menos que o filme também dê ao espectador casual um motivo para ir, e as evidências aqui (notas fracas, um B- do público, uma segunda-feira em colapso) sugerem que não deu.
A lição para a próxima adaptação de videogame é pouco glamorosa: orce para o fim de semana de estreia com o qual você pode contar, não para a franquia que gostaria de ter. Os fãs são uma base leal, mas base não é bilheteria. Se Hollywood quer que esses filmes sejam sucessos, e não um caro agrado aos fãs, precisa fazê-los também para todo mundo.
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